A mudança começa em mim

A palavra recessão está hoje na boca de toda a gente. E o que fazer perante esta apregoada inevitabilidade? Baixar os braços ou enfrentar o problema? Prefiro de longe a segunda alternativa. Afinal de contas cabe a cada um de nós assumir o dever e a responsabilidade de contribuir para mudar o actual estado de crise. Mas como, perguntarão? Interiorizando que a mudança começa em nós, em cada um de nós.

É urgente riscar do léxico comum a expressão recorrente “eles”, quando os problemas surgem e nos atingem directa ou indirectamente a todos. Atribuir culpas pela existência de problemas não é difícil, apontar o dedo a este ou aquele político, como vi na primeira página da última edição do jornal Expresso, uma fotografia que juntava o Governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, o Primeiro-Ministro, José Sócrates e o Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, sob o mesmo título, a saber: “O rosto da crise”. Este é de facto um triste exemplo de como a Comunicação Social também entra na onda do apontar o dedo aos “culpados do costume”, isto é, “eles”.

O que é de facto mais complicado mas necessário é arregaçar as mangas e contribuir activamente para resolver os nossos problemas. Pois esta é a única via para ajudar a construir um Portugal melhor. A cidadania é precisamente isto, ter consciência dos problemas que nos afectam para ajudar a ultrapassá-los em conjunto. Juntando ideias, projectos, acções que permitam construir as melhores soluções. Só uma sociedade civil forte poderá desempenhar plenamente o papel que lhe cabe, de alavanca para a coesão económica e social.

Todos somos poucos para ganhar a guerra contra a recessão, a favor de mais crescimento económico, mais e melhor emprego, mais solidariedade.

Afinal, o rosto de uma sociedade mais justa, mais qualificada, mais solidária, mais coesa somos “nós”, os “insuspeitos do costume”.

Não se esqueça, a mudança começa em si!
Paço de Arcos, 11 de Janeiro de 2009

Mónica Cunha
Militante do PS / Secção de Oeiras

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